Dias das Mães, sem a nossa mãe, sem a minha mãe...
Mainha teve uma infância muito difícil, minha avó se suicidou na frente dela e dos outros 04 filhos, já grávida do sexto. Ela nunca soube quem era o seu pai mas teve o seu nome no registro de nascimento. Será que isso realmente conta? Se casou aos 20 anos, já velha para aquele tempo de servidão lá trás. Ficou 05 longos anos tentando engravidar, achando que "o problema da não fertilidade" era dela, salvo engano. Depois engravidou e teve a mim e 05 anos depois, meu irmão, fez ligadura. Meu pai jamais, jamais faria vasectomia, já que sempre disseram ao mesmo que "o pênis não sobe mais ao ser vasectomizado", até hoje rola essa informação mentirosa, mas, já vejo amigos indo procurar a vasectomia e ficando felizes com o resultado. Crescemos em meio a violência e ela era replicada em nós inconscientemente. Mainha não tinha tanta paciência ou sempre ameaçava com o cinturão e outras coisitas a mais. Mas nada disto faz dela uma mãe perversa ou uma má mãe, faz dela uma mulher que nunca, nunca recebeu o amor, o respeito e o carinho que ela necessitava e merecia.
Mais uma data comemorativa, capitalista, e forçadamente ficamos tristes, e meio melancólic@s, pois, quando não se tem mais o ser que primeiro te amou e você a amou primeiramente também, como sobreviver a essa enxurrada de emoções, almoços e acima de tudo lembranças de que é necessário ter o corpo aqui, e agora presente para que possamos abraçar e dizer o quanto a amamos.
Minha mainha partiu para o outro plano espiritual fazem 03 anos e 05 meses, mas as lembranças são tão vorazes, tão presentes, tão ávidas, que tem horas que me sufocam. Não um sufocamento ruim, mas um sufocamento que essa sociedade nos provoca. Para todos os lados que olhamos é "ordenando" a compra de presentes, de almoços, de presença...Não se prendam a isto, isso eu garanto a vocês. Sejam mais que uma data, sejam mais que o título de filhos, sejam mais do que uma certidão de nascimento, a dor na hora do parto, a realidade na hora de amamentar, a renúncia em tempos de gravidez e após o nascimento do filho, sejam mais do que tudo que é cobrado por uma sociedade em colapso, sejam antes de tudo: FILHOS que entendem quando ela não pode te dar o que você gostaria de ter, quando ela não pode estar nas festinhas que você desejou que ela estivesse, quando ela trabalhou até tarde e não te colocou para dormir, quando ela não pode ler a estorinha para dormir porque ela não teve a oportunidade de conhecer as letrinhas que você as conhece tão bem hoje, quando ela nunca te disse o tão esperado "eu te amo" por que ela nunca teve quem lhe dissesse isso. São tantas situações ao longo deste mundo que não sabemos muitas vezes como lidar com esse turbilhão de sentimentos que é o de ter um ser crescendo dentro da sua barriga e ao sair a responsabilidade é quase sua, e vai depender do ser que você escolheu para ser o pai, a mãe, e por aí segue.
Ser mãe muitas vezes não é escolha, vem de supetão, vem para provar que o casamento está bem, vem para provar a virilidade do outro, vem para você não ser tão sozinha como continua sendo agora, mesmo depois de ter um relacionamento amoroso com alguém, vem para quem acredita que dias melhores virão após a chegada de um bebê em uma família.
Nossas ancestrais não tinham a escolha que temos hoje, e muitas de nossas atuais escolhas são feias e assassinas aos olhos de muitas pessoas desta atual sociedade hipócrita, machista e preconceituosa com o nosso corpo, com as nossas ações e atitudes. Não se prendam a estigmas, coisas empostas, procurem a melhor forma a seus olhos e ações para dizer a elas o quanto as amam, respeitam, aceitam suas ações do passado, entendem o quanto foram "ausentes" não porque queriam mas por que necessitavam, enfim, sejam filh@s compreensivos, por mais difícil que isso seja entender suas falas e ações.
Mainha teve uma infância muito difícil, minha avó se suicidou na frente dela e dos outros 04 filhos, já grávida do sexto. Ela nunca soube quem era o seu pai mas teve o seu nome no registro de nascimento. Será que isso realmente conta? Se casou aos 20 anos, já velha para aquele tempo de servidão lá trás. Ficou 05 longos anos tentando engravidar, achando que "o problema da não fertilidade" era dela, salvo engano. Depois engravidou e teve a mim e 05 anos depois, meu irmão, fez ligadura. Meu pai jamais, jamais faria vasectomia, já que sempre disseram ao mesmo que "o pênis não sobe mais ao ser vasectomizado", até hoje rola essa informação mentirosa, mas, já vejo amigos indo procurar a vasectomia e ficando felizes com o resultado. Crescemos em meio a violência e ela era replicada em nós inconscientemente. Mainha não tinha tanta paciência ou sempre ameaçava com o cinturão e outras coisitas a mais. Mas nada disto faz dela uma mãe perversa ou uma má mãe, faz dela uma mulher que nunca, nunca recebeu o amor, o respeito e o carinho que ela necessitava e merecia.
Será que estou passando pano para minha mãe? Será que é crime achar e ter a certeza de que minha mãe errou? ela errou como muitas erraram, como eu ainda irei errar, e nada disso faz dela, delas péssimas mães, fazem delas, mulheres, mães, em aprendizados constantes, e em evolução o TEMPO todo, o TEMPO todo.
Minha mãe me deixou um legado inimaginável, e inarrável aos olhos de quem sabe enxergar bens, além do material. Um legado de: Sororidade, Caridade, Gratidão, Desapego, Religiosidade, Respeito, Ancestralidade e acima de tudo, amor e gratidão pelas pessoas que passam, passaram e passarão em nossas vidas. É necessário ver o outro na sua própria essência: seu passado, seus medos, seus anseios, suas virtudes e acima de tudo, sua resposta a situações rotineiras.
Pois é Mainha, mais um ano desta data sem sua presença física, mas sinto sua presença espiritual a todo instante, quando: ouço sua voz me dizendo para não chorar, porque me fez uma mulher forte; quando você me dizia: cuidado com quem se junta, quem anda com porcos, farelo come; de que meu marido é meu emprego/trabalho, já que nós mulheres negras não temos muitas oportunidades de sermos pedidas em casamento e vivermos uma relação feliz; que nossa família mantém firme nossa ancestralidade e nela vamos seguir firmes e fortes. As mulheres de nossa família são feitas para amar e serem amadas, e que esse legado deixamos para as que virão depois de nós.
Estamos bem mainha, vamos seguir, seu legado nos dá força, perseverança, luz e fé para permanecermos bem, temos nas nossas ancestrais que vieram antes, durante e depois de nós a fortaleza que necessitamos para seguir sem os corpos físicos, mas com a presença do que foi deixado e aprendido. Gratidão por ter estado e permanecer conosco.
Feliz Dia das Mães, do nosso jeito, onde estiveres.
Te amo imensuravelmente, para sempre Dona Dida.
Power Black Woman.
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